sexta-feira, 2 de julho de 2010

Live better. (Peres/Markus)

É. provavelmente precise menos de ti, quanto imagino.
Mas há momentos em que... desculpe-me. apenas tua
Presença mataria minha sede.

Um momento como agora: é noite, jantar à mesa,
A solidão se amplia no vazio da sala, nem a TV me suporta
(a recíproca é verdadeira), penso bobagens.
E como penso.

Caso estivesses aqui, quebraria o incômodo sossego.
Consigo imaginar meu sorriso, e sentir as nossas expectativas.
Passaríamos juntos tempo suficiente para delirar sobre o futuro.

Quase recupero a fé ao ouvir Cohen a cantar "Hallelujah".
Mas não estas aqui... bate à porta uma conhecida de sorriso
Tímido, rosto magro, olhos caídos. é hora de encarar a
Triste solidão.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Apenas um velho triste. (Peres/Markus)

Inquieto para achar no outro um
Pedaço meu. Imagino semelhanças
Mesmo que irreais. Ilusão consciente.

Em verdade vejo leitos.
Corpos doentes, imperfeitos.
Provando o quanto somos frágeis.

Somos homônimos.
De pé, me vejo ali deitado,
Sem saber bem o porquê.

No entanto os vejo...
Sinto algo. Não digo nada.
Prefiro esquecer.

Troco de alma com os corpos
Já castigados pela dor
E vejo que também estou doente.

Outras tantas me esqueço da figura humana.
Conforto-me ao lembrar que não
Tenho sido desigual, nem desumano.

E é confuso saber que não sou obrigado
A ajudar, mas que é necessário mudar.
Um dia hei de morrer, com ou sem dor.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Meia Noite e Um.

Se for mesmo por conta da alma
Que permaneço vivo - Ela vive
Da carne e dos seres que me cercam.
Morre se há descaso.

Logo definho no esquecimento.
Talvez, em parte eu seja assim:
Alguém que vive do sabor passado,
E de amores enlatados.

Triste e serena como a morte, a noite dorme.
E diante da confusão, renasce em mim a
Forma de outro ser capaz, obrigando-me a viver.

É bem provável que as desculpas não caibam
No momento. Mas é possível que caibam na eternidade.

O que me fode é a sanidade.
Essa capacidade de fazer-me entender
Que nem sempre estou no caminho certo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

REC

Gosto dessa sensação inexplicável e
Compreensível, toda vez que penso
Em deixar-te para trás, ou realmente
Fujo para bem longe como fiz por duas vezes.

Fico me perguntando se todos que a conhecem
Sente o mesmo fervor e saudade quando não
Estão aqui contigo, se sentem o coração bater
Manso quando se lembram da tua imagem.

Teu pequeno caos, tua beleza escondida
Na mente de cada um que a ama como
Eu, que vivo nem sempre pacato, mas

Sempre contente por viver aqui.
Todos seus prós e contras me
Completam Recifense.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Reticências

Dentre os fatos que considero um
Grande acontecimento em minha vida,
Ela foi um deles, mesmo que não acredite,
Ou não queira tal mérito.

Não tivemos a menor chance.
Sem fundamentos além da atração,
Quebramos antes de construir.
Apenas nos olhávamos, sentindo

O que talvez fosse o fim, sem saber
Bem do que, e do que seria feito
Daqueles momentos silenciosos

Em que apenas pensávamos em
Segredo, escondendo um do outro
O que já não sabíamos.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sogima II

Juntei os pertences no vazio da mesa.
Tempo apenas para compreender o silêncio.
No rosto, um olhar sonolento.
Fui torto, pensando migalhas.

Tedioso relógio guia as horas fazendo de
Pensamentos – poesias mal terminadas
Por interrupções vadias.

A salvação é quebrar a rotina,
Encontrar um amigo que mal se via.
Ouvir jazz, conversar, sorrir das
Besteiras vividas.

Do chão, escolher a rota já conhecida.
No bolso, pequenos rascunhos do dia,
Na mente uma certeza antiga.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Avesso.

Se hoje as dificuldades são tantas,
É porque tinha de acontecer.
Alegrias virão.

O fato de acabar com tudo
Que agora me incomoda,
Será lembrado com agrado.

Portanto espero...
Por mais um momento feliz.
Se for dor, que doa.
Irei sorrir dela um dia.

Pensando no que aprendi,
Lembrei de como me ensinou.
Meu exemplo de não ser.